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A Jipenet no III Raid do Festival Brasil Off-Road
>por Decio Pedroso

Após a correria habitual das sextas-feiras que antecedem as largadas de um Raid, consegui finalmente estacionar minha Band junto aos demais jipes inscritos, tanto no Raid quanto no Endurance - nova competição inaugurada esse ano.

Enquanto aguardávamos a distribuição dos adesivos, conversava com um e outro e também aproveitava para ver as instalações do Festival.

Nisso encontramos o Neto e seu Filho Fernando, com seu Samurai, e Danilo, Makoto e o Wilian, que compunham a tripulação da Band do Danilo, pela primeira vez num Raid.

Estes carros, mais o meu, representariam a JipeNet no evento.

A JipeNet é um jipe clube virtual, com mais de 250 participantes espalhados por todo o país e também no exterior. É o segundo maior Jipe Clube do país, mesmo sem ter sede, diretoria ou estatuto. Tudo é virtual, menos as trilhas que fazemos e os eventos dos quais participamos.

Esse ano, o Raid estava dividido em duas categorias: Turismo e Graduados, cuja diferença era o uso ou não de computadores de bordo para navegação.

Neto e seu filho correriam na Turismo, enquanto eu e Danilo iríamos na Graduados.

Após a vistoria, fomos para o sorteio das posições de largada, sendo as cinco primeiras reservadas para os corredores da Copa Alto Tietê.

Enquanto o Danilo recebeu o número 14, fomos premiados com o 32º. Já o Neto recebeu um numeral tão alto que nem me lembro mais. Ele quase teve que largar no dia seguinte...

De posse de nossas planilhas, Maurício, meu navegador, e Makoto, do Danilo, puseram-se a se debater com seus Totens enquanto nós tomávamos uma ou duas cervejas. Dentro dos carros, o Raid já havia começado. Decifra-me ou devoro-te. Os números saltavam.

Após várias cervejas bebidas por nós e diversos trechos abertos por eles, os navegadores deram seu trabalho por encerrado. Conferiram segundo por segundo suas programações, convencendo-se de que estavam certos. Não haveria para mais ninguém.

No dia seguinte encontramo-nos para a largada e fomos os primeiros competidores a chegar.

Maurício, meu navegador, não é só um excelente navegador, que leva a brincadeira aos extremos da seriedade, como também é super pro-ativo. Logo que chegou, procurou saber da organização como seria a largada. Tendo descoberto que ela não seria por ordem de numeral e que começaria com uma volta pela pista de indoor, tratou de alinhar nossas duas Bands na boca da pista, lado a lado. Quando a organização liberou, fomos os dois primeiros jipes a largar. Assim, pudemos aferir o odômetro com calma.

Danilo ainda teve um pneu furado no final do deslocamento e pudemos encontrar borracheiro e acompanhar o concerto com toda a calma.

Ao chegarmos ao início do primeiro trecho navegado, quem aparece? O Samurai do Neto. Ele desce esbaforido e estressado: "Alguém sabe onde tem um posto de gasolina, alguém sabe?" Tinham apenas esquecido de abastecer...

Aos poucos, os outros participantes foram chegando e largando em suas marcas de tempo. Enquanto víamos alguns competidores muito feras, acostumados a correr as copas por aí, outros sequer sabiam calcular seu tempo de largada naquele trecho. Ensinávamos o que era possível e nos divertíamos muito, relembrando nossos primeiros raids.

Danilo largou 18 minutos à nossa frente. Às 10h32 largamos para nosso primeiro trecho navegado e seguimos sem maiores novidades. A trilha era leve e, ao contrário da previsão, estava bastante seca. O Raid ia se mostrando para os navegadores, já que não representava maiores desafios para os pilotos.

Fizemos um mesmo laço três vezes e a cada vez víamos mais jipes, uns perdidos, uns já tirando atraso, outros parados mesmo. Seguíamos mais confiantes.

Ao final desse trecho navegado, abriu-se um pequeno deslocamento para passar um charco e paramos para aguardar nosso tempo ideal para o trecho seguinte. Enquanto outro competidor, já fora de seu carro veio até minha janela para conversar, ouvimos o inconfundível ronco de um motor Mercedes beirando a faixa vermelha de giro e buzinadas aflitas morro acima. Foi o tempo de nosso amigo subir no meu estribo e agarrar-se a minha janela para não virar piloto à passarinho.

Danilo passou zunindo por nós, deixando apenas sua poeira. Eu e Maurício quase morremos de rir diante do ar de perplexidade de nosso assustado amigo.

Largamos novamente em nosso tempo e só voltamos a ver o Danilo e sua Band no neutral do almoço. Quando íamos saindo, cruzamos com o Neto, reclamando que o pessoal não estava dando passagem para ele recuperar seus atraso, etc.

Atraso de quem teve que procurar por um posto de gasolina em pleno Raid, bem entendido...

Agora à tarde o número de PCs aumentava e íamos passando um a um, bem dentro de nosso tempo. Até que..

Uma ladeira forte, alinhei a Band acelerei e ela patinou, patinou e não dava mostras de que iria subir. Não demorou muito para percebermos que eu havia esquecido de engatar a tração dianteira. Parada total. Tração engatada, lá fomos nós com uns quarenta preciosos segundos perdidos. No alto da rampa, curva à direita e o bip sonoro característico de um PC do Peninha.

Todo Raid tem um PC que te ferra. Aquele era o nosso. Lamentamos o ocorrido. O que Maurício chamou de má sorte e eu de barbeiragem grossa, custou-nos 44 preciosos pontos.

Mesmo assim, sem desanimar, fomos tirando o atraso. Não havia mais tempo para manobras nos cotovelos. Eles contornados em derrapagens, algumas delas controladas, outras nem tanto. Recuperamos nosso ritmo e chegamos ao final sem maiores novidades.

No final, chegamos em 5º lugar da Graduados, com apenas 147 pontos perdidos. Danilo chegou em 14º, também na Graduados e Neto, mesmo a procura de seu posto de gasolina, chegou em um excelente 4º lugar da Turismo.

No dia seguinte a surpresa: diferentemente dos outros anos, os competidores do Raid não puderam participar do Festival. Tivemos que pagar uma nova entrada. Até o momento não obtivemos explicação oficial da organização sobre esse assunto. Isso nos causou espanto pois, custando o mesmo que outros raids, a inscrição desse não dava direito a jantar na chegada nem a brindes de participação. Nada mais justo portanto do que facultar a entrada no dia seguinte, como sempre foi feito nos anos passados.

Apesar dessa surpresa final, o Raid foi muito bom, tendo sido organizado pelo Jipe Clube de Mogi das Cruzes, que merece nossos parabéns.


Abraços 4x4,

Decio Pedroso
dpedroso@zip.net

 

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