Um passeio no novo JPX
>por Decio
Pedroso
Virei a chave e o que ouvi foi a pronta resposta de um motor
diesel de pequena cilindrada. Engrenei a primeira marcha e arranquei.
Acostumado à estupidez das Toyota Bandeirante, decepcionei-me
com a saída.
Fui acelerando em primeira marcha e o giro cresceu rapidamente.
Ao atingir 2000 RPM o jipinho rugiu feroz lançando-me
contra o banco e disse ao que veio o novo motor Peugeot XUD9
TE. O novo JPX, modelo 2000 realmente impressionou.
Peguei a subida que contorna o Estádio do Pacaembu e
apesar da forte inclinação, o jipinho continuava
solicitando marchas mais altas enquanto ganhava velocidade.
As curvas, mesmo fechadas, eram contornadas com segurança
e precisão. Lá no alto, pouco antes do cruzamento
com a Dr. Arnaldo, um sinal fechado obrigou-nos a parar. Era
o ponto de maior inclinação da subida e achei
bom, pois teria como sentir sua arrancada naquela situação.
Farol verde, carro da frente saindo, lá fomos nós.
Ou íamos. Deixei o jipinho morrer covardemente. Mais
uma vez a falta de costume e torque em baixas rotações
falou mais alto. Nova tentativa, dessa vez com o motor falando
mais alto, o jipinho saltou deixando para trás os motoristas
que antes buzinavam.
Já na fábrica em Pouso Alegre, pudemos testar
o novo JPX em situações off-road. Longe de poder
ser considerada uma pista de testes devido às suas modestas
dimensões, a pista de demonstração da fábrica
era versátil o suficiente para sentirmos o comportamento
do jipe em diversas situações.
A "caixa de ovos" mostrou que sua suspensão,
macia e de longo curso, consagrada como uma das melhores na
sua categoria, permanece inalterada. Vencer os demais obstáculos
foi tarefa fácil.
No final da pista, logo após uma piscina com fundo inclinado,
um enorme king de uns 4 metros de altura e bastante inclinado
nos aguardava. Mesmo com pneus mais apropriados para o asfalto,
o jipinho embicou para cima, vencendo o obstáculo corajosamente
e em marcha normal, sem uso de reduzida.
Demos em seguida, uma volta na pista em sentido inverso e aproveitamos
para forçar as marchas em seu regime de rotação
mínimo. Nada! A temperatura do motor permaneceu inalterada
durante todo o teste.
Assim se apresentava o novo JPX 4x4 modelo 2000. Sua principal
diferença visual fica por conta da enorme tomada de ar
sobre o capô do motor para alimentar o intercooler, agora
original de fábrica. Os mais observadores também
vão notar que a lateral do capô ganhou uma nova
abertura de ventilação, a exemplo de suas pick-ups.
Embora a JPX não admita claramente, a adoção
dessas aberturas vem auxiliar a dispersão do ar quente
dentro do compartimento do motor, que antes não tinha
por onde sair.
O painel também foi reestilizado, mas não era
ainda a versão definitiva no protótipo testado.
Mas é no interior do compartimento do motor que se encontra
a maior e principal novidade desse modelo, responsável
pela excelente performance apresentada: o novo motor Peugeot
XUD9 TE.
Enquanto o motor anterior era originalmente aspirado, recebendo
o turbo aqui no Brasil, o atual XUD9 TE já vem da Peugeot
com turbo e intercooler. Isso lhe confere não só
mais torque e potência, como também maior confiabilidade,
comprometida entre nós pela fama que o motor anterior
tinha de ferver com freqüência.
Segundo o Engenheiro-Chefe da JPX o intercooler diminuiu em
até 15º C a temperatura do ar admitido na câmara
de combustão, o que se reflete em uma temperatura geral
de funcionamento 5º C mais baixa.
O jipinho acelera junto com os outros carros no trânsito
e vence com facilidade obstáculos nas trilhas que antes
só conseguiria em marcha reduzida. Segundo dados da fábrica,
o novo motor confere torque máximo de 196 Nm a 2250 rpm
e potência de até 91,7 cv a 4000 rpm.
O conjunto de pedais, no entanto, continua necessitando de uma
maior atenção por parte de seus projetistas. Estando
o pedal do freio muito alto em relação ao acelerador,
perde-se muito tempo ao passar de um para outro, podendo ainda
haver o risco de se prender o pé direito sob o pedal
do freio em uma manobra mais rápida. "Punta e taco"
é uma operação definitivamente impossível
de se fazer sem saltos altos.
O ideal seria um alinhamento entre os três pedais, o que
tornaria sua condução muito mais confortável
e segura. A atual posição do pedal do freio leva
os motoristas mais altos a bater o joelho contra o volante ao
frear.
Mesmo alertando que o superaquecimento dos modelos anteriores,
na grande maioria dos casos era causado por misturas erradas
do fluído de arrefecimento, tampas do radiador inadequadas,
e colméias sujas, a direção da JPX está
confiante que esse novo propulsor não apresentará
os mesmos problemas, devido principalmente à reserva
de potência a mais com que conta.
Se por um lado, ainda falta torque em baixas rotações,
o que, em algumas situações poderá sacrificar
um pouco o sistema de transmissão, em especial a embreagem,
por outro lado, a partir do momento que o turbo entra em ação,
o torque sobra e traz uma gostosa sensação ao
dirigir. Dirigir não, pilotar. Esse é o termo
exato para controlar todo o nervosismo desse novo jipe. Respostas
rápidas, excelente suspensão e a boa pega do volante
farão com que até o mais pacato dos jipeiros abuse
um pouquinho do pé direito.
Esse novo modelo da JPX vem também consolidar um novo
tempo da fábrica de Pouso Alegre, muito mais voltada
para seu público consumidor do que antes. O maior exemplo
disso é seu Superintendente Geral, Hélio Ronzani,
que responde pessoalmente inúmeras mensagens via correio
eletrônico pela lista de discussão da JipeNet (http://jipenet.hypermart.net).
Embora talvez ainda seja cedo para afirmar, parece que a JPX
solucionou de forma definitiva o maior problema de seu modelo
Montez, que sempre afligiu seus proprietários. Assim
sendo, o novo modelo está pronto e vem nervoso reconquistar
sua fatia de mercado que tão merecidamente parece lhe
caber.
Abraços 4x4,
Decio Pedroso
dpedroso@zip.net |
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