Olhando pelo lado de fora
Por: Hector
Tomelin / Fotos: Diogenes Ferreira
Neste
último final de semana (23 e 24 de junho), Eu e Cleso
Guimarães (Vice-Presidente e Presidente do Rallye Clube
de Minas Gerais, respectivamente) realizamos uma missão
"difícil": assistir a 5ª e a 6ª etapas
do Campeonato Brasileiro de Rally de Velocidade, na cidade carioca
de Resende, e verificar o que o RCMG deve fazer para as 9ª
e 10ª etapas, que estarão sob sua responsabilidade,
em Uberlândia, nos dias 1 e 2 de setembro.
Vocês podem imaginar que a dificuldade estava em viajar
486 km na sexta à noite e voltar para BHZ no domingo,
ficando longe da família e todo o estresse de uma viagem.
Sim, esta foi uma dificuldade; mas a principal foi saber que,
apesar do sacrifício pessoal, nós que somos praticantes
apaixonados do Rally, não estaremos correndo por falta
de patrocínio. Apesar deste porém, podemos dizer
que o que assistimos foi emocionante e vou tentar descrever
nossa pequena aventura a partir do momento em que chegamos a
Resende até a nossa partida.
Chegamos na noite de sexta e encontramos, na porta do hotel,
a equipe de cronometragem, vinda de Erechim-RS, e já
nos detivemos por alguns minutos conversando sobre as dificuldades
da realização da prova. Entramos
no hotel e fomos nos encontrar com o mineiro Leonardo Penna,
que estava acompanhado da esposa em férias, afim de jantar,
afinal ninguém é de ferro. Combinamos de nos encontrar
às 07h15 da manhã para acompanhar o parque fechado
e, em seguida, nos deslocarmos para as especiais.
Ao levantar, pude ver da minha janela o carro de Tino Vianna,
da equipe Lubrax - um belíssimo Subaru WRC - que já
nos levantou o ânim. Nos deslocamos para o parque fechado,
encontrando diversos competidores e amigos a cada 5 passos,
o que ajudou a levantar o nosso ânimo.
Acompanhamos o parque fechado de largada e de cara ficamos sabendo
das dificuldades com segurança, que foram prontamente
sanadas pela organização. Nos deslocamos para
a 1ª especial do dia e nos posicionamos no alto de um morro,
de onde podíamos acompanhar um bom trecho.
Nos assustamos com os dois Mitsubishi de fábrica que,
em cerca de 1 km, já estavam 1 segundo mais rápidos
do que os outros concorrentes, e continuamos nos deslocando
dentro das especiais para acompanhar o rally, mas sem poder
saber os tempos parciais de cada especial. Ficamos
trancados no meio do rally, sem água, comida e qualquer
conforto, mas felizes por ver um show: 9 carros 4x4 turbo desfilando
à nossa frente e a incrível performance da equipe
Seat, com os pilotos Paulo Lemos e Marcola, que apesar de possuírem
um equipamento inferior, não estavam apanhando feio dos
4x4, aliás se posicionando à frente de diversos
deles.
Assim que terminou a última especial, nos deslocamos
para o parque de exposições de Resende, afim acompanhar
a Super-Prime, onde pudemos acompanhar e registrar (através
de vídeo digital) todo o desenrolar do dia e um show
dos pilotos, organização e público.
Ao nos encontrarmos com os competidores, ficamos sabendo que
os dois carros da Mitsubshi tiveram pneus furados e portanto
acabaram mal classificados no dia, cedendo a vitória
para o grande piloto Edio Füchter (SC), da equipe Subaru-Lubrax.
No
domingo, fizemos um posicionamento diferente de locais. Eu na
função de camera-man novamente e começamos
a acompanhar o Rally, verificando que briga ficaria entre Ulysses,
Spinelli (ambos Mitsubshi), Edio e Tino Vianna (ambos Subaru-Lubrax),
que deram um show de pilotagem e disputa que conseguimos registrar
em vídeo. A merecida vitória foi para o Ulysses,
lembrando que assistimos uma grande disputa.
Novamente a cena foi roubada pelos amarelinhos da Seat (Paulo
Lemos e Marcola), que continuaram com o incrível show
de destreza.
Na 4ª especial, estava filmando a passagem dos carros na
saída de uma ponte quando, ao verificar a chegada do
primeiro Seat, cujo ronco era ouvido 1 minuto antes dos demais
carros, procedi à tomada e, ao saírem do meu campo
visual, percebi duas coisas estranhas: o ronco do motor cessou
por completo e a cerca do lado de fora da curva. Conclusão:
o carro saiu da estrada e rolou barranco abaixo. Corri para
onde o carro deveria estar e o pessoal que estava um pouco adiante
fez o mesmo. E qual não foi nossa surpresa ao ver o carro
cerca de 6 metros abaixo e constatar que os dois estavam saindo
ilesos e sem único arranhão?!! Foi aí que
ouvimos o ronco potente de outro carro: era o Paulo Lemos, e
só tivemos tempo de pular da estrada e esperar aquele
bólido passar por nós.
Fora
este, não tivemos nenhum grande susto no resto da prova,
além ver o Mitsubishi Lancer do Paulo Vignoli semi-destruído
e virado de lado no final da última especial. Uma belíssima
superprime de encerramento e a tradicional confraternização
entre os concorrentes completou o dia.
Foi muito interessante e instrutivo; aprendi duas coisas: agradeço
a honra de todos que assistem nossas provas de Rally, pois o
sacrifício é grande, apesar de valer a pena; e
espero que seja a última prova que eu tenha que assistir,
pois, definitivamente, meu lugar é lá, sentado
no banco de um carro.
Confira a classificação por categoria
das duas etapas do Brasileiro de Rally realizadas em Resende
na seção Resultados.
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