É por aqui!...
Muitas
pessoas, principalmente aquelas que estão iniciando na
prática do fora-de-estrada, tendem a ver a figura do
navegador como um mero coadjuvante, o cara que vai sentado ao
lado do "todo-poderoso" piloto. A imagem do sujeito
estressado e apressado, sempre de olho no relógio, é
a primeira que vem à cabeça de muita gente quando
se fala a palavra navegador. Mas não é bem assim.
Em todas as modalidades do automobilismo fora-de-estrada - rally
de velocidade ou regularidade, rally cross-country, raid e outras
- o navegador tem importância fundamental para o bom desempenho
da equipe. Da mesma forma que um bom carro não é
nada sem um bom piloto, pode-se dizer também que um bom
piloto, com um bom carro, não é nada sem um bom
navegador.
Nesta Dica Especial, Planeta Off-Road apresenta a seus leitores
as particularidades da navegação no rally de velocidade,
uma das modalidades mais emocionantes do automobilismo. Se você
pretende navegar em rally de velocidade, preste atenção
às dicas a seguir e prepare o coração para
muita adrenalina!
Equipamento
Além dos equipamentos obrigatórios, previstos
por regulamento, tais como capacete, macacão, entre outros,
existem alguns itens específicos que não podem
faltar a um navegador de rally de velocidade. São eles:
Relógio: Horário de entrada em parque fechado,
horário de entrada em zona de controle de tempo, horário
de largada, tempo de deslocamento; todos os horários
da equipe durante uma prova são responsabilidade do navegador.
Por isso é fundamental que ele tenha consigo um relógio
confiável (se possível, até dois), "afinado"
com o da organização.
Cronômetro: cabe ao navegador também marcar
o tempo gasto pela equipe em cada especial (trecho cronometrado),
para que se possa ter noção do desempenho da mesma
em cada trecho e até mesmo conferir os tempos anotados
pela organização na cartela de controle.
Hodômetro:
um hodômetro digital preciso e de fácil visualização
é essencial para que o navegador faça o levantamento
dos trechos cronometrados e "cante" com precisão
as referências para o seu piloto. Um hodômetro impreciso
pode provocar sérios acidentes.
Caderno: como no rally de velocidade é o próprio
navegador que faz sua planilha do trecho cronometrado (ver "Levantamento"),
é essencial que possua um caderno para efetuar as suas
anotações.
Marca-texto: uma caneta do tipo marca-texto é
de grande utilidade durante um rally. Com ela, o navegador vai
marcando as referências da planilha já ultrapassadas,
de modo a não se confundir.
Levantamento
Ao contrário do rally cross-country, do rally de regularidade
ou do raid, no rally de velocidade os trechos percorridos com
cronômetro aberto - as chamadas "especiais"
- são previamente reconhecidos pelas equipes. Tudo o
que a organização fornece é uma planilha
indicando o deslocamento do parque fechado (local onde os carros
permanecem após a vistoria técnica, até
o início da prova) até o início do trecho
e, no trecho, apontando apenas pontos-chave, como bifurcações,
trevos e outros que possam tirar a equipe da rota definida.
Antes
da prova, é permitido às equipes fazer o reconhecimento
dos trechos a serem percorridos (são estabelecidos dias
e horários específicos para o reconhecimento).
E é justamente neste reconhecimento que o navegador,
com a ajuda do piloto, vai construir sua própria planilha.
Todas as características do trecho são anotadas
- curvas, pontos de salto, pontes, porteiras e outros - e associadas
à respectiva quilometragem, de forma que, na hora da
prova, o navegador possa informar ao piloto, com precisão,
qual o próximo "perigo".
Muitas vezes, o regulamento da prova não permite que
o levantamento dos trechos seja feito com o carro de corrida.
Nestes casos, é importante que o carro usado no levantamento
tenha características semelhantes às do veículo
que a equipe irá utilizar para correr, principalmente
no que diz respeito às dimensões. Uma lombada,
por exemplo, pode significar a perda de visual do percurso logo
a seguir para os tripulantes de um carro baixo, como os que
correm no rally de velocidade, mas pode não causar o
mesmo efeito em que está em um carro alto, como um jipe
ou uma picape. Caso o levantamento do trecho seja feito com
um desses carros, a provável perda de visual que seria
verificada no carro pequeno tende a "passar batida"
e poderá prejudicar a equipe na hora da corrida, até
mesmo provocando um acidente.
Corrida
No dia da corrida, a atenção do navegador começa
bem antes da "bandeira verde". Ele deve calcular o
tempo a ser gasto do parque fechado ao local da largada e informar
ao piloto a média de velocidade a ser mantida durante
o deslocamento. No local da largada, ele tem que estar de olho
no relógio para que a equipe entre na zona de controle
de tempo no momento certo, na hora estabelecida pela organização
para a largada do seu carro. O navegador é responsável
ainda por manter consigo a cartela de controle, onde a organização
anota os tempos de largada e chegada da equipe.
Uma vez dada a largada, é disparar o cronômetro
e concentração total! Para facilitar e agilizar
a comunicação entre piloto e navegador, há
um código para se descrever as curvas: são utilizadas
as iniciais D e E para indicar a direção das curvas
- direita e esquerda, respectivamente. A angulação
da curva é informada por uma numeração
que vai de 01 (curva muito fechada) a 05 (curva leve, aberta),
numeração esta que remete à marcha que
o piloto "deveria" utilizar para fazer a curva. Assim,
por exemplo, "D4" significa uma curva aberta para
a direita, que pode ser feita em quarta marcha; "E2"
significa uma curva fechada para a esquerda, que deve ser feita
em segunda marcha. A definição desta "graduação"
das curvas depende de cada equipe, do "feeling" de
cada piloto e de cada navegador na hora do levantamento.
O
nível de detalhamento do levantamento feito pelo navegador
vai depender de seu entrosamento com o piloto. Muitos pilotos
gostam que o navegador "cante" apenas as curvas do
percurso, deixando de lado outros detalhes visuais como pontes
ou porteiras. Outros optam por uma maior riqueza de detalhes
e nestes casos os navegadores anotam e "cantam" até
mesmo os buracos mais perigosos da pista. Clique
aqui para ouvir o mineiro Marcos "Tucano" (foto),
ex-Campeão Brasileiro de Rally, navegando para o piloto
Eduardo Zenóbio (Equipe Ale / FIAT), durante uma etapa
do Campeonato Mineiro e Rally de Velocidade de 2000. "Tucano"
é considerado um dos navegadores mais detalhistas do
Brasil. Confira!
Bom; basicamente é isso! Está preparado? Então
é disparar o cronômetro e lenha!!! |
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