Como preparar o motor
Texto: Detlef
Altwig
Este normalmente é um tópico que acaba ficando
de lado para a maioria dos participantes do Rally dos Sertões,
às vezes por falta de tempo e outras vezes por receio
de perder confiabilidade do motor. O motor é o coração
do carro e sem ele, assim como no nosso corpo, nada funciona,
portanto devemos tratá-lo muito bem. O primeiro passo
é analisar o nosso objetivo durante o Rally.
Para competidores cujo maior interesse é de completar
a prova, um motor totalmente original é bastante interessante,
pois não será necessário um investimento
adicional e a durabilidade estará garantida. Porém
se o desempenho não for satisfatório, existe um
tipo de preparação bastante "light"
que pode ser feita em qualquer tipo de motor. Interessante também
para que vai correr na categoria Marathon onde a preparação
é limitada.
O balanceamento dos componentes e redução do atrito
no virabrequim. São trabalhos simples que qualquer preparador
de motores sabe fazer e que não comprometem a durabilidade
do motor, até pelo contrário, aumentam. Neste
trabalho, o motor é totalmente desmontado e seus componentes
(pistões, bielas, bronzinas, ...) são retrabalhados
para que cada umas destas peças iguais tenham o mesmo
peso. Por exemplo, um pistão que sai da linha de produção
de uma montadora nunca tem exatamente o mesmo peso que um outro,
já que não é economicamente interessante
para a montadora chegar neste detalhe, um trabalho que o preparador
de motores faz. Por isso, é chamado de balanceamento.
Com todos os componentes ajustados e feitas algumas reduções
de atrito, poderá haver um ganho de até 10% na
potência do motor.
Para competidores que buscam resultados é necessário
um trabalho mais completo no motor, tais como a substituição
de componentes por peças forjadas, de alumínio
ou até titânio, retrabalho no cabeçote para
um melhor fluxo de ar, substituição da carburação
por carburador de competição tipo Weber, melhor
bomba de combustível, uso de lubrificantes especiais
e inumeras outras "artimanhas" para se obter ganho
de potência e torque.
O importante no trabalho de preparação de motores
para o Rally dos Sertões é obter um motor potente
e durável, por isso a instalação de turbo
compressores em motores a gasolina não é muito
recomendável, já que o risco de sobre-aquecimento
é considerável. Motores carburados são
também mais confiáveis que motores com injeção
eletrônica que são bastante sensíveis à
poeira e água, que não falta durante o Rally dos
Sertões. Por isso se puder optar em usar o carburador,
use.
Um dos fatores mais destrutivos para um motor no Rally dos Sertões
é a poeira, se o filtro de ar e o sistema de admissão
de ar não for muito bem vedado e os filtros não
forem diariamente trocados, o motor vai sofrer e tem grandes
chances de fundir durante a prova.
Lembre-se que em mecânica os milagres não existem,
então um motor que originalmente tem 100 H.P. e for preparado
para atingir 200 H.P. com certeza não durará muito
tempo. Cuidado também com os motores a diesel turbinados,
existem pessoas que acham que só precisa-se elevar a
pressão da turbina e o ganho de potência vem fácil,
mas isso não é verdade! Cansei de ver carros parados
durante o rally com a mangueira do turbo estourada! "A
corda sempre quebra no seu ponto mais fraco". É mais inteligente
aumentar o tamanho do intercooler e retrabalhar os parâmetros
da bomba de injeção e não sobrecarregar
o turbo com mais de 20% da pressão original.
Na preparação de um carro de rally a mão
de obra é muito importante. Para identificar um bom preparador
de motores, a melhor maneira é obter boas recomendações,
saber o que aconteceu com motores feitos por ele anteriormente,
visitar a oficina que deve estar bem organizada e bem equipada.
Para uma preparação decente o preparador deverá
ter pelo menos uma bancada de fluxo de ar (que mede o fluxo
de ar do cabeçote), uma bem equipada ferramentaria para
retrabalhar os componentes do motor, um dinamômetro, uma
balança de precisão para pesar componentes e muita
dedicação ao trabalho.
Eu considero a preparação de motores uma arte,
muito mais que um trabalho, o preparador tem que "conversar"
com o motor até chegar ao ponto ideal.
De uma coisa eu tenho certeza, em termos de preparação
de motores o Rally dos Sertões ainda está engatinhando.
Muita coisa ainda pode ser feita.
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