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Campeão em meio às "feras"

Ele é o único mineiro a vencer, por três anos consecutivos (98, 99 e 2000), o tradicional Rally da Graciosa, prova realizada no Paraná, válida pelos Campeonatos Brasileiro e Sul-Americano de Rally de Velocidade. No Mineiro da modalidade em 2000, ele conquistou o título de Campeão na classificação geral, por antecipação, faltando uma prova para o término do torneio. Em um rápido bate-papo via e-mail com Minas Off-Road, Hector Honorio Santos Tomelin (na foto, à direita), 31 anos, administrador e mestrando em Economia, fala sobre as perspectivas do rally mineiro e brasileiro, e revela seus planos para a próxima temporada. Confira!

> Minas Off-Road: Faça uma análise comparativa entre os Campeonatos Mineiros de 99 e 2000 e aponte suas expectativas em relação à temporada 2001.
>> Hector Tomelin: Sob o aspecto organizacional: Há hoje um mínimo de organização do Rallye Clube de Minas Gerais; há um promotor de eventos cuidando da parte promocional, e já há gente se preparando para vender o campeonato de 2.001. Além disso, podemos contar com um apoio forte e constante da Federação Mineira, através do presidente e de seus companheiros.

Sob o aspecto de retorno de mídia: Além do constante apoio dos Diários Associados, diversos outros órgãos de imprensa entraram no circuito, o que, além de provocar um aumento da mídia, está gerando uma diversificação dos órgãos de comunicação, com a entrada de outros veículos de mídia impressa, bem como a participação crescente da mídia eletrônica, rádio, TV e web. Estamos esperando um crescimento da ordem de 30% nos veículos que nos apoiaram no passado e um crescimento na ordem 120% nos veículos que não faziam cobertura no ano anterior, conseguindo um retorno muito bom para os patrocinadores atuais do campeonato.

Sob o aspecto de competitividade: O nível das duplas vem sofrendo um constante aumento, colocando no páreo duplas que antes nem chegavam preocupar. Além disso foi um ano de diversas estréias e da participação de algumas duplas do off-road sempre que os calendários permitiram. Isto significa um crescimento tanto quantitativo quanto qualitativo.

Sobre a participação do público: Descobrimos o interior e o interior nos descobriu. Com isto há uma presença constante de público nas provas, que tem feito uma grande festa para acompanhar esta modalidade do automobilismo, feita de homens comuns em veículos comuns (muito próximos do que você compra em uma loja), que realizam façanhas incríveis - como fazer uma curva a 190 km/h na terra cheia de cascalho.

> Minas Off-Road: A que você atribui seu "salto" no ranking mineiro de 99 para 2000?
>> Tomelin: Não sei a respeito de salto, mas se o há, se deve ao reconhecimento do Rallye de Velocidade-FISA como uma grande modalidade, à boa representação do Estado nas competições nacionais e internacionais, e à conquista do título Geral de Pilotos de 2.000, atingida neste final de semana (NR: 18 e 19 de novembro de 2000).

> Minas Off-Road: Você acredita que a conquista do Campeonato Mineiro 2000 abrirá novas portas para você na próxima temporada?
>> Tomelin: Honestamente, conto com isto e preciso disto.

> Minas Off-Road: Na sua opinião, o que significa, hoje, ser o Campeão Mineiro de Rally de Velocidade dentro do panorama do rally brasileiro?
>> Tomelin: Significa uma glória ser Campeão de um estado que fez grandes campeões na década de 70 e 80, e que produz grandes pilotos nos dias de hoje, como é o caso do Cristiano da Matta. Ser Campeão enfrentando um monstro sagrado como o Eduardo Cunha, até hoje respeitado fora de Minas como um "osso duro de roer"; Campeões Brasileiros (Zenóbio e Cleso); e após ter perdido o título brasileiro de 98 (por não participar das quatro últimas etapas, sendo que, das sete primeiras, vencemos quatro e uma tivemos um segunda colocação) foi um desabafo e uma satisfação enormes.

> Minas Off-Road: Por que você abandonou o Campeonato Brasileiro de Rally deste ano? Tem planos para o ano que vem em relação a esta competição?
>> Tomelin: Infelizmente, decidimos participar da categoria N3 depois de passadas as duas primeiras etapas da competição, e ainda não estamos bem adaptados ao carro. Isto nos deixou em grandes desvantagens. Apesar das circunstâncias, possuíamos, até antes da etapa de São Paulo, chances concretas de trazer o título para Minas. O imprevisto ocorreu quando, em função do Juiz Eleitoral de Joinville, as etapa do Brasileiro do estado de Santa Catarina foram transferidas para os mesmos dias da final do Mineiro. Chegamos à conclusão de que teríamos que optar por uma das competições e optamos pela que teríamos maior chances de vitória e prestígio junto a mídia mineira.

> Minas Off-Road: Você pretende continuar correndo com o Mitsubishi Colt na próxima temporada ou há planos para um novo carro?
>> Tomelin: Não; apesar de ser o melhor que já pilotei na minha vida. Para o próximo ano, há planos para um salto qualitativo, de modo que, ao se encerrar a temporada, devemos colocar o carro à venda, pois acreditamos ser possível uma nova evolução para 2.001.

> Minas Off-Road: O que você acha que falta ao rally mineiro para ele conquiste a força que tem o esporte no sul do País, por exemplo?
>> Tomelin: Patrocinadores para o evento e para as equipes, e uma evolução da relação do esporte com a imprensa, que já está ocorrendo naturalmente.

> Minas Off-Road: Você acredita que o Brasil está pronto para receber uma etapa do Campeonato Mundial de Rally? Por que?
>> Tomelin: Sim. A CBA, através da CNR, vem fazendo um campeonato que evolui ano a ano, a passos largos, e teremos em Curitiba o teste de fogo, com a realização da prova do Graciosa 2.001 como pré-mundial, o que terá, na minha opinião, o mesmo efeito que o primeiro título de Emerson teve sobre a F1 no Brasil. Há um envolvimento do País antes e depois de Emerson em relação à F1, assim como será com o Brasil, antes e depois do Graciosa 2.002 (etapa prevista para o Mundial).

> Minas Off-Road: Na sua opinião, existem pilotos brasileiros aptos a disputarem o Mundial? Em caso de resposta afirmativa, cite alguns nomes.
>> Tomelin: Pilotos existem. Bertholdo, Lemos, Varela, Edio, Spinelli, Cunha e, claro, eu mesmo, além de diversos outros. O que falta é uma estrutura de negócios para incentivar este desporto no País, pois o pessoal que decide os investimentos de mídia das grandes empresas são tradicionais ao extremo no Brasil, acham realmente que a única propaganda que existe é a paga. Nos E.U.A., por exemplo, 3,5% do PIB são movimentados pelo segmento esportivo / desportivo. Aqui, o montante é inferior a 0,02% e os principais responsáveis são os profissionais que tomam as decisões sobre onde investir as verbas de marketing e divulgação. O Brasil é citado como "celeiro" de grandes pilotos de monoposto (vide F1, Indy e Kart), mas o que existe é o fato de que possuímos grandes brasileiros que foram obrigados a construir toda uma carreira fora da pátria mãe.

 

 

 

Dotzi Planeta Off-Road
geral@planetaoffroad.com


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