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Toyota Bandeirante - parte 2

O que você vai ler a seguir é a segunda e última parte do teste do Bandeirante (Toyota do Brasil S.A.), publicado na revista Quatro Rodas, em sua edição de maio de 1.964. O texto original foi dividido em duas partes e transcrito literalmente. As fotos que acompanham a matéria também são as originais, publicadas na revista. Nesta edição, você fica com o Teste Dinâmico.

TESTE DINÂMICO:

CONDIÇÕES

Odômetro inicial: 4.806 km
Local: Rodovia Presidente Dutra
Pista: Asfalto seco, piso normal
Temperatura ambiente: Média 27°C
Pressão atmosférica local: 711 mm de Hg
Umidade relativa do ar: 80%
Intensidade e direção do vento: Moderada, com algumas rajadas fortes intermitentes, no sentido perpendicular à pista
Combustível empregado: Óleo Diesel
Pressão dos pneumáticos: 25 psi em todos

DIRIGIBILIDADE
O Bandeirante é de emprego fácil e sua transmissão, apresentando economia de componentes, proporciona tração nas quatro rodas, através de sua caixa de transferência. Para fazer a ligação do eixo dianteiro, mesmo parado, basta que se pise na embreagem e tracione a alavanca respectiva. A direção mantém sua folga sob controle, com tolerância de 30-50 milímetros na circunferência do volante. Os pedais suspensos permitem comodidade e o freio de serviço responde com eficiência. Também o de estacionamento, aplicado na transmissão, oferece ótimos resultados. A suspensão tem molejo mais suave do que se espera. O que mais impressiona é a vibração na carroçaria, com ressonância no volante de direção. Nessa vibração, uma vantagem: esconder o barulhinho da catraca, típico do motor Diesel. Travessia de vaus satisfatória até os 50 cm de água; embora a passagem tivesse sido feita rapidamente, não foi notada mistura no óleo da transmissão. O tipo da suspensão e a redução da direção permitem boa flexibilidade no jipe. A situação só não é melhor devido à altura do solo, peso e formato geral do veículo. As inclinações laterais permitidas são, por vezes, bem acentuadas, o que deve ser levado em consideração nas manobras rápidas, em marcha. Sua velocidade de cruzeiro se situa em torno dos 65 km/h. A tração nas 4 rodas e as reduções possibilitam a execução de tarefas difíceis, nas condições mais desfavoráveis. Como sua transmissão está bem balanceada, com o que o motor pode lhe dar, o seu emprego judicioso deve ser observado. Pouca ou nenhuma sobra excessiva de potência foi assinalada. O Bandeirante pode ser utilizado no que for necessário, sem desperdício algum. Naturalmente, como utilitário, pode ser equipado com acessórios como guincho, reboque etc., contanto que seja preparado para recebê-los.

SUBIDA DE SERRA
Carga de 150 kg - Inclinação máxima: 7% - Partida parado nos km 39, 43, 47 e 51.

Trecho (km) Inclinação Média (%) Desnível (m) Tempo Velocidade Média (km/h)
39 - 43 4,4 165 3'52,8" 61,8
43 - 47 5,8 238 4'27,9" 53,8
47 - 51 5,9 242 4'44,0" 50,7
51 - 55 6,1 303 4'55,0 ' 48,8

Tempo total: 17'59,7"
Velocidade média: 53,8 km/h
Marcha: 4ª
O motor se identificou bem com a viatura, requerendo, porém, atenção no emprego.

VAZAMENTOS
Baseado no emprego normal e no estacionamento ininterrupto de 12 horas, o gráfico aponta vazamentos insignificantes, quase todos assinalados nos bujões da caixa de mudanças e da caixa de transferência. O menor, na parte dianteira direita, vai mais a título de curiosidade do que, propriamente, para valer. Trata-se de óleo lubrificante do motor, que, pelo respiradouro, se acumula em cima do feixe de molas, até que começa a pingar. As dimensões das marchas estão em escala. O resumo da situação: muito boa, embora o maior mérito, no caso, pertença ao motor Mercedes-Benz.

COMPORTAMENTO NAS CURVAS
Este teste foi executado num terreno plano, piso cimentado, num círculo de 25 metros de diâmetro. Fizemos rodar a viatura 10 percursos em cada sentido, tirando a média daí. A velocidade obtida indica o limite a partir do qual se verifica o fenômeno de afastamento (over-steer), ou penetração (under-steer). Uma boa estabilidade e pequena tendência de penetração ficaram evidenciadas.

Foram os seguintes os resultados obtidos e através dos quais deduzimos os dados: tempo médio mínimo, 10,7 segundos; velocidade média máxima, 27,9 km/h.
Apreciação: bom.

COMPORTAMENTO EM ULTRAPASSAGEM
Ocorreram algumas dificuldades iniciais, na execução do teste, devido ao chamado "bamboleio" nas mudanças bruscas de direção.

Tempo médio mínimo: 7,0 seg.
Velocidade média máxima: 61,7 km/h.
Apreciação: razoável.

COMPORTAMENTO EM MANOBRAS
Em manobras rápidas, sentimos dificuldades, devido ao peso e dimensões do veículo. Nas manobras vagarosas, como entradas em vagas, curvas suaves, o Bandeirante portou-se satisfatoriamente.

Tempo médio mínimo: 17,0 segundos.
Velocidade média máxima: 21,2 km/h.
Apreciação: aceitável.

O teste consta de uma partida, zigue-zague em torno de 10 obstáculos colocados em distâncias iguais num percurso de 100 metros e chegada, quando termina a cronometragem.

DIÂMETROS MÍNIMOS DE CURVA
Os dados obtidos não conferiam com os da fábrica (5,3 m para o raio e, conseqüentemente, 10,6 m para o diâmetro). Assinalamos 11,80 à esquerda e 11,22 à direita, com diferença, portanto, de mais de 1,20 m à esquerda e 0,62 m à direita. Com a regulagem do veículo, como veio às nossas mãos, as curvas à direita eram mais fáceis de executar. O diâmetro médio do volante é de 45 cm. De batente a batente, tem-se 4,5 voltas. O número de voltas, tanto para a esquerda, como para a direita, é o mesmo: 2 ¼. A folga não atingiu 30 mm. O índice relativo ao comprimento do veículo e seu diâmetro médio mínimo de curva foi de 0,333, que é bom.

VELOCIDADES
A velocidade máxima real obtida foi de 102,7 km/h. Exceto na primeira marcha (reduzida), as faixas de emprego são: 2ª até 25 km/h; 3ª de 25 a 50 km/h e 4ª acima de 50 km/h. As marcas máximas conseguidas: em 2ª, 30 km/h; em 3ª, 55 km/h; em 4ª, 102,7 km/h. A velocidade máxima deve ser evitada, por motivo de segurança.

VELOCÍMETRO E ODôMETRO
No velocímetro, observam-se oscilações no ponteiro a baixas velocidades, ocasionando certa deficiência na leitura. A partir de 30 km/h, o erro percentual é quase constante, pois varia de 2,2 a 2,8%, que é o seu máximo. Calibragem correta. Qualidade excepcional, resultados surpreendentes. O odômetro apresentou erro médio de 3,935 km / 100 km percorridos. Este índice de 4%, contudo, pode ser atribuído aos pneus e ao estado da pista. O resultado é bom, se analisado isoladamente.

ACELERAÇÃO
No uso das três marchas menos reduzidas, a aceleração apresentou resultados coerentes com o tipo de veículo. Foram obtidas marcas de 19 segundos para os 250 metros e 50,4 segundos para o quilômetro de arrancada, denunciando o motor justo para as necessidades do Bandeirante, sem sobras. A embreagem hidráulica portou-se a contento, sem comprometer os resultados obtidos. O peso do veículo (tonelada e meia) e as formas da carroçaria reagem contrariamente à aceleração. Isto se refletiu nos tempos obtidos: de 40 para 50 km/h, 4,7 segundos; de 50 para 60, 5,1 segundos; de 60 para 70, 6,4 segundos; de 70 para 80 km/h, decorreram 9,1 segundos. Em intervalos iguais de 10 km/h, foram necessários tempos superiores, respectivamente, aos da inicial 40/50 km/h, em 8,25%, 25,5% e 42,2%. Em resumo: razoável.

FREIOS
Este é um dos pontos altos do jipe Toyota. A marca para o freio de emergência, a 60 km/h, foi significativa: 17 metros de arrasto. O motor OM324, com sua taxa de compressão de 1:20,5, contribui com os freios de serviço. A 40 km/h, o Bandeirante necessita de 8,2 metros e leva 1,9 seg. em uma freada de emergência. O freio de estacionamento é outro ponto a ressaltar: atuando na transmissão, produz resultados excelentes. A parada a 40 km/h, na distância de 17,2 m em 2,8 seg. representa um índice ponderável. O acionamento da sua alavanca, porém, é muito incômodo. A suspensão e a direção contribuiram para os resultados, pela rigidez, flexibilidade e ajuste. Freios excelentes.

Fonte: Revista Quatro Rodas, edição de maio de 1.964.

 

 

 

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