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L-200 R: correndo para ganhar
Fotos: Cláudio Larangeira - Mitsubishi

A tradição da Mitsubishi no rally off-road todos conhecem. O que poucos imaginariam até algum tempo atrás é ver as "austeras" picapes L-200, modelo da montadora japonesa sempre associado à idéia de trabalho / lazer, concorrendo de igual para igual com carros de rally consagrados nas mais importantes competições do segmento. Pois isso aconteceu e hoje a Mitsubishi já fabrica no Brasil, em Catalão-GO, a L-200 R, modelo da picape que já sai de fábrica preparado para competição. Além disso, a montadora mantém no País uma equipe de rally oficial de fábrica, com duas picapes dirigidas por dois dos mais experientes pilotos do rally brasileiro: o gaúcho Ulysses Bertholdo e o carioca Guilherme Spinelli.

Nesta seção, Planeta Off-Road mostra aos leitores os detalhes da preparação das L-200 R da equipe Mitsubishi / Grand Prix. Quem conta os segredos da preparação é o próprio Ulysses Bertholdo, que gentilmente recebeu nossa reportagem nas instalações da Mitsubishi, em São Paulo-SP. Confira!

Chassis / Estrutura
Serão utilizadas na temporada 2001 as mesmas picapes que correram em 2000. Elas apenas sofrerão algumas mudanças em sua estrutura para se adequarem ao novo regulamento do rally cross-country brasileiro. A principal destas mudanças será feita na gaiola de proteção, que ganhará, por imposição do regulamento, o arco principal (ao fundo da cabine) e os arcos laterais fabricados em peças inteiriças, sem emendas. O restante da gaiola é todo construído observando os itens estabelecidos pelo regulamento, que vão desde o "formato" do equipamento em si até a espessura dos tubos e das paredes dos tubos utilizados na construção. Este item é de fundamental importância na estrutura das picapes de competição, uma vez que, além de ser um equipamento de proteção, responde ainda pelo "travamento" de todo o chassis - o original da linha L-200.

Outra mudança estrutural importante feita nas L-200 de competição da equipe Mitsubishi / Grand Prix é o deslocamento de todo o conjunto motor / caixa cerca de 30 cm para trás, aliviando o peso da parte dianteira do carro e dando mais estabilidade ao mesmo. Esta mudança acaba acarretando mudanças em outras partes do carro, principalmente na cabine (ver item específico).

Suspensão
Apenas os amortecedores originais da linha L-200 são substituídos por amortecedores Donair (dois por roda) nas picapes de competição da equipe, sendo o restante da suspensão mantido original, tanto na parte dianteira quanto na traseira (lembrando que a L-200 já vem de fábrica com a possibilidade de ter dois amortecedores por roda). Os feixes de molas traseiros também são idênticos ao das picapes de série. A única alteração em todo o conjunto da suspensão é feita nos pontos de fixação dos amortecedores traseiros, modificados para receber os Donair.

Cabine
Se em outras partes das L-200 da equipe Mitsubishi / Grand Prix são mantidas as características originais da linha, o mesmo não se pode dizer da cabine. As modificações começam em decorrência do já citado deslocamento do conjunto motor / caixa cerca de 30 cm para trás, o que acarreta um deslocamento da mesma ordem de todos os elementos que compõem a cabine do carro, do "painel" aos bancos, passando por volante, pedais e outros itens.

Os bancos originais da L-200, dianteiros e traseiros (lembrando tratar-se de uma picape cabine dupla), não existem no modelo de competição. O que temos, na verdade, é um par de bancos Sparco Pro 2000, de competição, que são fixados à gaiola de proteção, e não no assoalho, como os originais. Também fixados à gaiola estão os cintos Sabelt de quatro pontos. Vale lembrar que vários detalhes previstos pelo regulamento são observados na preparação de um carro de rally como este, como, por exemplo, o ângulo dos bancos em relação ao assoalho do carro, o ângulo de fixação dos cintos à gaiola em relação aos ombros dos tripulantes, a espessura dos cintos de segurança, entre outros.

As L-200 de competição da equipe Mitsubishi / Grand Prix não possuem painel, como os carros de linha, e sim um conjunto de instrumentos específicos para competição, que também são fixados à gaiola. São eles conta-giros, marcadores de pressão do óleo, pressão do turbo e temperatura, e odômetro. O circuito elétrico da picape de competição é refeito, sendo mantida apenas a fiação necessária para o funcionamento dos equipamentos a bordo. O volante de competição completa o conjunto.

As forrações internas também não existem nas L-200 de corrida e os vidros das janelas laterais são dão lugar, nas novas portas de fibra, a peças feitas em policarbonato. A cabine recebe ainda, por força do regulamento, um sistema de segurança contra incêndio (tubulação direcionada a toda a cabine), chave geral e passa a abrigar o filtro de ar, a bateria (original da L-200) e o servo-freio do carro.

Carroceria
Capô em fibra, portas em fibra e caçamba em fibra. Estas são as modificações feitas na carroceria da L-200 de competição em relação à do modelo original. A cabine é de lata, assim como os pára-lamas dianteiros, onde são feitos extratores de ar para auxiliar na saída do ar quente do motor. A caçamba recebe um suporte para os dois estepes previstos pelo regulamento. Com estas mudanças, as picapes de competição ficam com 1.500 kg, 140 kg mais leves que os modelos de série.

Tanque
A L-200 de competição possui, além do tanque original, de 75 litros, outro tanque idêntico ao primeiro, posicionado ao lado do mesmo, com uma chave comutadora posicionada dentro do carro para a mudança de um tanque para outro.

Pneus e Rodas
As rodas das L-200 de competição são as mesmas Enkei, de liga-leve, que equipam as picapes do modelo GLS, originais de fábrica. A equipe Mitsubishi / Grand Prix utiliza pneus Pirelli Scorpion AT, da medida 235/75 R15.

Motor
Nas L-200 da equipe oficial da Mitsubishi, o motor turbo-diesel-intercooler de 87 cv, original de fábrica, passa por uma preparação que, segundo Ulysses Bertholdo, consiste apenas na regulagem de bomba injetora e no aumento da pressão do turbo para 1,6 kg. O resultado é o ganho de 48 cv, passando o motor a desenvolver nada menos que 135 cv.

Outras mudanças mínimas são feitas no motor dos carros da equipe, como a transferência da bateria (original) e do filtro de ar para o interior da cabine. No sistema de arrefecimento, as picapes recebem o radiador do Pajero Sport, mais adequado às severas condições a que o motor é submetido nas competições.

Câmbio
O câmbio utilizado nos carros da equipe é o mesmo Mitsubishi mecânico, de cinco velocidades, que equipa os modelos de linha, sendo mantida, inclusive, a relação original.

Tração
Idênticos aos dos modelos de série são também o sistema de tração 4x4, acionado por engate manual, a caixa de transferência e os diferenciais. Fechando o conjunto, as picapes contas com roda-livre manual.

Freios
O sistema de freios original da L-200 ganha, nas picapes da equipe Mitsubishi / Grand Prix, as pinças do Pajero. Além disso, o servo-freio é transferido para o interior da cabine do veículo, ficando posicionado atrás do banco do piloto.

Iluminação
Além do conjunto de faróis e faroletes originais do modelo de série, a L-200 de corrida da equipe ganha apenas as lanternas de ignição (acionada sempre que o carro está ligado) e de freio extra, previstas pelo regulamento. Estas lanternas ficam posicionadas na parte traseira da cabine, logo acima do vidro traseiro.

Segurança
Além da gaiola que envolve todo o carro, o sistema de segurança das L-200 da equipe engloba ainda um sistema de extinção de incêndio (extintores ligados a uma tubulação direcionada ao interior da cabine, ao motor e aos tanques), que pode ser acionado do interior ou de fora do veículo, e uma chave-geral, também de acionamento interno ou externo, que corta instantaneamente todo o circuito elétrico.

 

 

 

Dotzi Planeta Off-Road
geral@planetaoffroad.com


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