Relação de diferencial:
você sabe como funciona?
Para toda velocidade é necessária uma certa quantia
de potência do motor, que é definido pela resistência
do arrasto aerodinâmico do carro e do atrito com o solo.
Em termos off-road contamos também com a resistência
ou os desníveis do terreno. O que define o desempenho
do Jeep em off-road, além da potência do motor
é, principalmente, a relação do diferencial
do jipe. Por exemplo: um diferencial com uma relação
"longa", em trilha, muitas vezes requer mais potência
e torque para locomover o veículo do que outro com uma
relação "curta". Por outro lado, em
deslocamentos em rodovias, um jipe com uma relação
mais longa roda mais e com o motor em baixo giro, enquanto outro
com relação curta precisa manter o motor em alto
giro para manter a mesma velocidade. Qual então é
a relação certa? Sempre vai depender do uso que
você vai dar ao seu carro. Um jipe que desenvolve mais
ou um que 'sobe em coqueiro'.
As
expressões 'relação curta' e 'longa' se
referem às relações de transmissão
dos diferenciais. Uma relação de transmissão
alta, que transforma muita rotação em poucas é
chamada de 'curta' é dá ao carro mais força
nas arrancadas e subidas. Já uma relação
baixa, é chamada de longa e deixa o carro mais 'fraco'
mas com desenvolvimento de velocidade final maior.
Para exemplificar, vamos citar o diferencial Dana 44 do Jeep
Willys. Uma das relações mais comuns é
a relação 43:8 que significa que a coroa tem 43
dentes e o pinhão 8. A relação desta combinação
também é expressa pela divisão matemática
de 43/8 - número de dentes da coroa dividido pelo número
de dentes do pinhão - o que neste caso é 5.375.
Podemos dizer com este número que o pinhão tem
que girar 5,375 vezes para que a coroa complete uma volta. Como
o valor 5,38 é alto, esta relação é
chamada de 'curta'. Uma das relações do diferencial
da F-1000 é a 46:13 que resulta em uma relação
de transmissão de 3,54, uma relação longa.
No caso do diferencial Dana 44, existem no Brasil oito relações
de transmissão diferentes que equipam de jipes a F-1000.
A razão de tantas relações diferentes está
na necessidade das montadoras em adequar uma relação
específica para cada veículo. Isto acaba possibilitando
também a mudança da relação do diferencial
original. Mas porque alterar a relação do jipe?
Atualmente,
são poucos os jipes que rodam com os pneus originais
e a maioria dos 'jipeiros' opta por usar pneus maiores. No caso
do Jeep por exemplo, quase não se vê os pneus originais,
o militar 6.00 x 16. A grande maioria usa pneus com tamanho
7.50 x 16. O que acontece é que se altera a relação
de transmissão desde o cardã até o solo.
A relação diferencial não mudou mas mesmo
assim a relação total ficou mais longa. Isto se
deve ao fato de que o perímetro do pneu ser maior. Trocando
em miúdos, com a mesma quantidade de voltas do cardã,
o Jeep andou um espaço maior. No caso dos pneus 7.50
x 16, a diferença só é sensível
logo após a troca dos pneus pois logo se acostuma com
o novo desempenho do Jeep, que caiu devido à necessidade
de maior torque. Quanto maior o pneu, maior será a queda.
Com certeza, com um pneu 35x12,5 esta queda vai se tornar preocupante.
O Jeep simplesmente não tem mais força para arrancar
em terreno acidentado, sendo necessário o uso da reduzida.
E está aí a solução: é preciso
reduzir mais a relação coroa - pinhão para
conseguir reduzir a relação de transmissão
final. Quem usa a relação 44:9 pode experimentar
a relação 43:8 ou 53:9.
Exiete ainda outra possibilidade em que a mudança da
relação é necessária: substituição
do motor. É comum a troca de motores originais por modelos
mais potentes e neste casos, quando o novo conjunto motor /
caixa fica muito reduzido é indicada a mudança
na relação do diferencial. Vale lembrar também,
que estas duas modificações - motor mais potente
e pneus maiores -, muito comum quando o assunto é adaptações,
pode não comprometer a relação final do
carro já que o novo motor deixa o carro mais reduzido
mas o pneu maior compensa a diferença deixando a relação
próxima à original.
Fonte: 4x4&Cia |
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