Trecho
off-road entre Jericoacoara e Nova Tatajuba-CE.
Por:
Odilon Ferreira
De
Jericoacoara no Ceará partimos para o distrito
de Nova Tatajuba, juntamente com alguns amigos de São
Paulo que viajavam em uma Toyota Bandeirante. Os dois
Jipes partiram por volta das 11 h da manhã pela
praia, com o objetivo de chegar até Tatajuba, conhecer
as dunas e depois retornar pela estrada de terra, passando
por Parazinho, Jijoca do Jericoacora e finalmente, o retorno
a Jericoacoara pelo caminho das dunas.
Saimos
de Jericoacoara pela praia, percorrendo aproximadamente
10,5 Km pela areia até chegar em um braço
de mar pr—ximo à localidade de Guriú. A
travesssia pela água é rústica, feita
por pequenas balsas impulsionadas pelos próprios
"balseiros" que utilizam longas varas que alcançam
o fundo do canal. O preço deve ser negociado antes
da travessia, para evitar aborrecimentos posteriores.
Realmente, quando o jipe é visto em cima de uma
pequena balsa, é inevitável o frio na barriga.
Saindo
da balsa, há um trecho de areão margendo
o mangue que somente é transposto com a tração
4X4 ligada. A partir daí, são mais 12 Km
por praia até as dunas próximas a Nova Tatajuba.
Chega então a hora de encarar a primeira subida
forte sobre as dunas. A princípio, ficamos meio
preocupados com a possibilidade de capotar o jipe mas
o segredo é entrar na duna sempre de frente, evitando
deixar o jipe tombar para a lateral. Deve ser observado
também a largura da crista da duna, pois se a subida
for feita em alta velocidade, o jipe pode ultrapassar
este limite e capotar duna abaixo.
O passeio de jipe pelas dunas é algo fantástico.
Em um determinado momento, os dois jipes desceram as dunas
e aceleraram para subir uma duna bem em frente, porém
com a areia mais fofa. O nosso Suzuki Samurai estava com
a tração 4X4 ligada e a reduzida. Apesar
dos pneus estarem um pouco cheios para andar na areia,
o jipe não teve problemas em subir. Melhor sorte
não tiveram nossos amigos da Toyota: a areia fofa,
somada com os 1.800 Kg do Toyossauro e mais cinco marmanjos
dentro, bastaram para o veículo afundar até
encostar os dois diferenciais na areia. Por
um momento todos pensaram em usar o Suzuki Samurai para
tentar puxar a Toyota, mas depois todos viram que isso
era impossível. Ridículo imaginar que um
Samurai pudesse puxar uma Toyota agarrada na areia. Não
restou outra alternativa, senão escavar a areia
que encobria o diferencial e as rodas. O vento nesta região
é tão forte, que se a porta ou a janela
do jipe ficar aberta por alguns instantes, uma boa quantidade
de areia é soprada para dentro do carro. Apesar
do sol escaldante, o vento amenizava um pouco. Uns vinte
minutos depois a Toyota foi liberada e a viagem continuou.
Chegamos finalmente à praia de Nova Tatajuba, um
lugar paradisíaco com uma faixa larga de areia
repleta de coqueiros, dunas por toda a orla marítima
e águas límpidas e mornas.
O
vento forte da região e a presença das dunas
marcaram o destino da antiga Vila de Tatajuba, que foi
soterrada pelas dunas. A Nova Tatajuba, erguida em um
local mais seguro e não muito distante da antiga
vila soterrada, não passa de algumas casas de pescadores,
uma pequena igreja e um posto de saúde.
Partimos de Tatajuba por volta das 16:30 h e tomamos a
estrada de terra com destino a Jijoca, passando por Parazinho.
Parte do trecho foi realizado sobre areia fofa e o restante
sobre terra batida entremeada por poças de lama
e trechos de areia. No
meio do caminho, o pneu traseiro do Samurai furou e como
era um trecho de areia fofa, fui notar somente alguns
quilômetros depois. Nossos amigos da Toyota tentaram
sinalizar e foi preciso que eles parassem no meio do caminho
para eu notar que havia alguma coisa errada no meu jipe.
Por causa da troca do pneu no meio da estrada, chegamos
a Jijoca escurecendo. A Toyota seguiu caminho para Jericoacoara
com o guia Cléo. Regina e eu ficamos em um borracheiro
consertando o pneu, que só ficou pronto por volta
das 20 h. |

Nível: Medio
Resumo:
Trecho onde anda-se basicamnte sobre areia. Requer atenção
tanto com a navegação como também
com a pilotagem nas dunas.

O início do roteiro é em Jericoacoara, a
317 km de Fortaleza. A partir de Fortaleza, pegar a BR-222
até Unimirim, depois seguir pela CE-016 até
Morrinhos onde passa-se para a CE-354 seguindo até
Aracaú. De lá, seguir para Cruz onde termina
o asfalto. Até Jericoacoara, são mais 85
km.

Arquivo GTM para download com a orla entre Jericoacoara
e Nova Tatajuba, a estrada de terra até Jijoca
e o caminho pelas dunas até Jericoacoara
jericoacoara.gz (224
k)
Para download grátis do programa
GPS TrackMaker, visite o site gpstm.com.br.

Mapa desenhado pelo GPS TrackMaker que mostra a orla marítima
entre Jericoacoara e Nova Tatajuba, a estrada de terra
até Jijoca de Jericoacoara passando por Parazinho
e o misterioso caminho até Jericoacoara pelas dunas.
jeri_mapa.gif
(64 k)
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O Início da Aventura - Navegação Noturna
com o GPS nas Dunas
A
aventura à noite estava começando. Enquanto esperávamos
no borracheiro, que achou loucura voltar a Jericoacoara naquele
horário e sem conhecer o caminho, pegamos algumas informações
sobre o caminho das dunas. No dia anterior, tínhamos
chegado a Jericoacoara pelo caminho do Preá, não
havendo registros no GPS da localização do caminho
pelas dunas. Partimos de Jijoca em direção a Jericoacoara
somente com as indicações do GPS, que mostrava
basicamente a localização geodésica de
Jericoacora e o contorno do litoral. Saímos da estrada
de terra e entramos nas dunas e aí entendemos por que
é tão fácil se perder. Há dezenas
de caminhos e entradas que muitas vezes levam o viajante a andar
em círculos. Era dia de lua nova e o céu estava
limpo e estrelado. A emoção de seguir por um caminho
desconhecido, somente com as indicações do GPS
é algo indescritível. A cada trilha que entrávamos,
o aparelho informava se estávamos aproximando ou não
de Jericoacoara. Tínhamos também a noção
exata da localização do litoral, o que tornava
fácil a navegação. Finalmente, após
alguns erros de rota, surge a nossa frente pequenos pontos de
luz, indicados na tela do GPS como sendo a Vila de Jericoacoara.
Tínhamos, enfim, conseguido chegar ao nosso destino,
através do caminho das dunas. Praticamente não
há um caminho definido e sem a ajuda do GPS, certamente
ficaríamos perdidos no meio das dunas.
O GPS foi de grande utilidade em toda a viagem pelo nordeste
brasileiro. Com as coordenadas geodésicas fornecidas
pelo programa GPS TrackMaker, sabíamos exatamente o nome
de cada cidade ou vila que passávamos, além disso,
o cálculo da distância até cada cidade possibilitava
planejar a viagem em cada trecho. |
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